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O ALGORITMO E RACISMO NOSSO DE CADA DIA

  O ALGORITMO E RACISMO NOSSO DE CADA DIA Reconhecimento facial aposta no encarceramento e pune preferencialmente população negra PABLO NUNES 02jan2021_10h19   Joy Buolamwini, uma mulher negra de 30 anos, pesquisadora do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (M.I.T.), estava desenvolvendo um protótipo de espelho inteligente, capaz de reconhecer a face da […]

 

O ALGORITMO E RACISMO NOSSO DE CADA DIA
Reconhecimento facial aposta no encarceramento e pune preferencialmente população negra
PABLO NUNES
02jan2021_10h19

 

Joy Buolamwini, uma mulher negra de 30 anos, pesquisadora do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (M.I.T.), estava desenvolvendo um protótipo de espelho inteligente, capaz de reconhecer a face da pessoa a sua frente e projetar no reflexo imagens de rostos de pessoas inspiradoras, como Serena Williams. Ela montou o espelho, acoplou uma câmera para captar a imagem da face e transmitir ao computador que, através de um algoritmo de reconhecimento facial, iria identificar a pessoa e vinculá-la às informações personalizadas. Tudo pronto e operando, mas o protótipo não detectava o rosto de Joy. Esgotados os possíveis problemas com a tecnologia, Joy olhou o seu reflexo no espelho e teve uma ideia: pegou uma máscara branca, dessas de fantasia, e voltou a ficar de frente pro seu projeto, que dessa vez reconheceu a máscara como um rosto.

A história de Joy e de outras pesquisadoras com os algoritmos de reconhecimento facial são contadas no documentário Coded Bias, um excelente panorama sobre a adoção desse tipo de algoritmos por diferentes países do mundo. Em 2016, Joy criou o Algorithmic Justice League, uma organização crítica ao uso da inteligência artificial, que trabalha para, por meio da arte e da pesquisa, aumentar a conscientização sobre as implicações sociais dessa ferramenta. E esse não é o único movimento crítico ao uso de reconhecimento facial. Na Inglaterra há o Big Brother Watch e a Liberty Human Rights; a campanha Ban Facial Recognition é encampada por mais de quarenta instituições nos EUA; a Internet Freedom Foundation pressiona a polícia indiana para abandonar o uso de reconhecimento facial, e outros mais.

Apesar do movimento mundial ser de crítica, banimento ou moratória ao uso de reconhecimento facial pelas polícias, no Brasil temos visto o movimento contrário. Desde 2019, o interesse de parlamentares, governadores, prefeitos e policiais por essa tecnologia tem aumentado, levando à disseminação de projetos em vários estados. A direita vitoriosa nas eleições de 2018 queria o reconhecimento facial no Brasil para dar mais velocidade ao trabalho da polícia de prender procurados pela justiça. E para algumas pessoas progressistas, o reconhecimento facial poderia ser uma solução, tirando das polícias o papel de escolher quem será abordado ou não.

No carnaval de 2019, em Salvador, um grupo de foliões participava de um bloco de rua sem imaginar que câmeras de alta resolução capturavam suas imagens. Marcos Vinicius, de 19 anos, estava no bloco fantasiado de melindrosa, com peruca, maquiagem e fantasia, mas esses acessórios não atrapalharam o algoritmo usado pela polícia baiana e o sistema o reconheceu como um procurado pela justiça. Ele foi o primeiro preso com o uso desse tipo de tecnologia no Brasil, e não seria o último. Segundo o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública baiana, o estado já prendeu 199 pessoas com o uso de reconhecimento facial desde a prisão de Marcos Vinicius.

 

Publicado pela Revista Piauí.

 

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